Jornalista da GloboNews contesta função de Bonner e o próprio debate da Globo

Logo após o fim do embate entre Jair Bolsonaro e Lula na Globo, a ‘Central das Eleições’, da GloboNews, ocupou o cenário do debate nos Estúdios Globo, no Rio.

Entre as análises a respeito do desempenho dos presidenciáveis, Fernando Gabeira chamou atenção ao criticar o formato do programa.

“Eu gostaria de dizer um pouco sobre a estrutura do debate. Acho que esse tipo de debate não tem futuro. Ele não nos dá uma qualidade que o povo brasileiro precisa”, disse.

“Quando você dá aos dois candidatos a liberdade para dizer o que quiserem ao longo do debate, você cria uma situação onde um fala o que quer e o outro responde o que quer.”

Na estrutura adotada pela Globo, cada candidato administra o próprio tempo, geralmente sem ser interrompido pelo oponente nem pelo mediador William Bonner.

“Existe um psicólogo chamado Jean Piaget, que falava sobre a linguagem egocêntrica das crianças. Elas falam e respondem o que querem. Já na linguagem adulta, você fala uma coisa, o outro responde, até chegar a um entendimento ou desentendimento organizado. Isso não aconteceu (no debate)”, explicou Gabeira.

O suíço Piaget (1896-1980) revolucionou a educação de crianças ao escrever artigos mostrando que elas não pensam como os adultos e têm seu próprio método de aprendizagem.

“Se você comparar com debates feitos nos Estados Unidos, os candidatos dizem coisa com coisa. O que nós tivemos hoje não foi isso”, insistiu Gabeira, ex-político com experiência em confrontos de candidatos na TV.

Alguns colegas discordaram. “Eu acho o formato muito bom. A gente consegue ver coisas da personalidade deles (candidatos), da maneira como eles são capazes de conversar”, afirmou Mônica Waldvogel. “O problema são as personalidades envolvidas.”

O veterano quis reforçar sua visão. “É a demissão do jornalismo. O jornalismo tem a possibilidade de mediar e deve utilizar isso com bastante critério. Se as pessoas fogem do tema, é preciso um mediador que diga. O jornalismo não pode dizer para o candidato ‘fala aí o que você quer’ e pronto.”

A crítica pareceu endereçada a Bonner, que teve um papel discreto no debate justamente pela maior autonomia dos presidenciáveis. O âncora do ‘Jornal Nacional’ fez poucas intervenções.

“O problema não é o formato, e sim o que um candidato ou outro candidato faz com o debate”, argumentou Natuza Nery, que comanda a ‘Central das Eleições’.

Fernando Gabeira dá valiosa contribuição à GloboNews por ter uma visão geralmente divergente ou complementar à da maioria dos colegas.

O canal carece de mais discordância entre seus comentaristas. A pluralidade enriquece o jornalismo.

Via portal Terra

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